Amadorismo versus profissionalismo

Wallace Vianna é designer e profissional de marketing digital.

Depois que comecei a trabalhar com marketing digital, minha visão do mundo profissional (e até pessoal) mudou muito. Hoje percebo que bons gestores/gerentes ou negócios independem da formação, tamanho, localização ou capital investido.

Alguns “causos”

Bom atendimento mesmo sem produto no estoque

Já fui em um bar na zona sul do RJ e pedi uma marca de bebida (ou tipo de bebida) fui gentilmente informado de que o estabelecimento não tinha. Mas minutos depois o garçon me trouxe a bebida desejada.
E para que não pensem que isso se restringe à área de negócios ligados à zona nobre de um grande centro urbano, ramo de entretenimento ou alimentação, já fui tratado com a mesma eficiência em subúrbio do RJ, em uma casa de materiais de construção, localizada em rua secundária daquele bairro.

Amadorismo não é falta de dinheiro nem conhecimento. É falta de visão.

O hortifruti destrambelhado

Em comparação, já vi negócios naufragarem e darem certo no mesmo lugar, por causa de boa ou má gestão.
Num mesmo local vi um hortifruti se transformar numa casa de sucos. Motivo: havia mais ou menos próximo um concorrente forte (tipo franquia), no mesmo ramo de atividade. Para competir com bons preços, só oferecendo serviços ou produtos diferenciados (entrega grátis ou com preços baixos; subprodutos derivados como doces, sucos ou sorvetes feitos das frutas).

Pra piorar, quando o hortifruti virou casa de sucos, mas os sucos eram na verdade refrescos (suco mais água gelada) – enganando o consumidor, vendendo gato por lebre (coisa que outras lojas de sucos próximas não faziam).
Em resumo: a casa de frutas virou um quiosque de sucos e a loja foi ocupada por um mercado e hortifruti profissionais: cartazes grandes e locução com caixas de som anunciavam os produtos; preços na média do mercado, e novos serviços (açougue, padaria) eram oferecidos em épocas diferentes. Detalhe: havia sucos de frutas, sim, mas eram sucos mesmo (!).

Saber olhar, mudar, ou se adaptar ao mercado à sua volta é uma das lições vitais do profissionalismo. Nem sempre podemos saber a direção a tomar, mas observar quem deu ou está dando certo é um bom referencial.

Padarias, sorveterias e lanchonetes

Fui numa padaria perto de minha casa e tudo o quepedia tinha gosto ruim. Certo diz pedi uma fatia de bolo e o funcionário me disse: “leva não. Está ruim”. Nuca mais voltei ali.

Ví um quiosque de excelentes “sorvetes mexicanos” fechar pois estava ao lado de um outro quiosque que vendia sorvetes de qualidade inferior. Motivo? Faltou mostrar que o sorvete mexicano era melhor que o concorrente oferecendo degustação grátis. Faltou fazer propaganda oferecendo coisas que o concorrente não fazia (entrega a domicílio, p.ex.).

Por outo lado vi uma lanchonete fechar e reabrir no mesmo local, oferecendo o mesmo produto (sorvetes) mudando apenas o nome, a decoração e o mobiliário (oferecendo mesas e cadeiras para sentar).

No real ou no virtual: tudo é igual

Na internet esse estado de coisas infelizmente se repete.
O Facebook, por exemplo, é grande não só pelo número de usuários, mas pela excelente gestão de seu serviço de venda de publicidade, integrado inteligentemente à sua rede social: eu posso ter uma conta no Facebook, e posso adicionar colaboradores à minha fanpage/página para me ajudarem a vender produtos ou serviços em meu nome, num sistema de trabalho em escala. Coisa que, na data em que escrevo essas linhas, o Google faz mas não tão bem quanto o Facebook. Infelizmente o Twitter, um grande player nesse mercado está engatinhando, pois não possui sequer atendimento direto aos usuários anunciantes, em qualquer um idioma.

Não existe coisa mais bela do que o profissionalismo.

Esse recurso – poder adicionar pessoas de sua equipe para ajudar a vender em nome do titular é algo tão básico que fico pasmo como muitos grandes sites de classificados, como o OLX, não permitem nem criam nenhuma facilidade para que uma agência ou profissional de propaganda/marketing poste anúncios para seus clientes a partir de uma única conta. Eles devem ter suas políticas e razões para tal, mas o fato é que quando o negócio (neste caso veículo de propaganda) não tem foco nas necessidades de seus clientes, a clientela acaba migrando para a concorrência.

Conclusões

Nesse sentido o amadorismo não é sinônimo de falta de dinheiro ou conhecimento. Amadorismo é falta de visão do negócio, da atividade, mas ou menos como numa empresa familiar que prefere levar o negócio “à sua maneira” pois “sempre deu certo assim” ignorando as mudanças do mundo ao seu redor. Por essas e outras pérolas que eu digo que existem poucas coisas na vida mais belas do que o profissionalismo.




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