Amor, dor

Qual o tamanho do vazio que alguém pode sentir? Já se sentiu alguma vez com um buraco o peito tão grande que seria possível uma viação inteira de ônibus passar por você sem te causar nenhum arranhão?

Não sei se é comum se sentir assim. Mas quando me sinto triste, fico nessa agonia que parece que não vai passar nunca. As coisas parecem ser tão mais complicadas do que já são. E tudo parece desandar. Se as decepções são tão comuns, porque quando alguma acontece, nos sentimos tão tristes?

Será que é possível alguém entender realmente a dor? Ou simplesmente nós a vivemos e aprendemos a lidar com ela quando ela se torna algo cotidiano em sua vida? Afinal de contas, sofremos por amor, por perdas, decepções.

E se somos assim tão frágeis, como é possível viver 100 anos? O que um ser humano consegue aguentar para buscar um pouco de felicidade? Se as coisas são limitadas, têm duração, porque ainda assim procuramos o bom e o melhor se vamos chegar ao fim? Um momento bom é suficiente para apagar as coisas ruins? Uma companhia é capaz de sanar a solidão que sentimos todos os dias? O amor é suficiente para sanar o vazio. Mas o amor traz a decepção. O amor traz sofrimentos. Nos torna frágil.

Hoje me sinto péssima. Me sinto triste. Sinto vontade de chorar quando lembro. Por mais que se goste de uma pessoa, ou a ame, até quando vale a pena? Até quando vale a pena sofrer por essa pessoa se a dor está ali, guardada numa caixinha. Os momentos ruins não são apagados. Ficam marcados e mais que isso, passam a fazer parte de você. E como uma parte de você que foi machucada. São tecidos de pele frágil que juntos os pedaços e se curou. Mas não de forma totalmente estável mas sim mais delicada.

Triste é você lembrar-se de tudo o que aconteceu e temer que um dia aconteça novamente. Só quem se machucou sendo a vítima sabe realmente o significado do erro.  E a dor fica. Permanece ali esperando só a porta se abrir e ela tomar conta de você. Talvez não dure muito, um dia, como espaços para distrações. Mas ir embora, não vai.

Medo. Para aqueles que sofreram, medo é o que resta. Medo de que possa vir a cometer o mesmo erro. Que o outro cometa o mesmo erro. Não se pode controlar impulsos que vêm do ser irracional que também faz parte de nós.

Mas não existe dor maior do que ter o teu amor aos braços de outra pessoa. Ao carinho de outra pessoa. Não existe dor maior do que perder um amor.

Se a dor existe, há amor. E no fim, amor não é humor.

Amor, dor.




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