Como Perder Barriga – 2

Você já teve aquela sensação de que perdeu o senso do ridículo?

As mulheres me entenderão.

Imagine que convidaram você para participar do Oscar 2018. Ao chegar lá, todos estão com vestidos de gala. Mas, você está com um vestido chinfrim, que comprou no brechó da Dona Lourdes.

Aí, você que é uma atriz reconhecida no mundo inteiro, vai ou não vai receber sua Estatueta de Ouro?

É óbvio que não.

O que aconteceu comigo foi justamente isso! Sem tirar nem pôr.

Pois é. Toda dieta para gordo vem com um acessório imprescindível: o exercício físico. E eu não poderia escapar desse lugar-comum.

O sol iluminava o tapete de asfalto. Trajei o melhor short de academia. Meti os pés nas meias tipo soquete. Calcei um tênis da moda. Me empacotei dentro de uma camiseta regata. E disse aos meus bolsos:

— Cumprirei o percurso de 5 quilômetros numa boa. Vai dar tudo certo.

O vai dar tudo certo fica por conta da minha imaginação fértil. Supunha sempre mil impedimentos para adiar o exercício físico. Porém, nenhum deles sucedia.

Agora, imagine um gordo, que comumente veste roupas triplo G, metido num manequim um G. A banha despenca pelos lados. O tonel ambulante sem caber nas roupas.

Outras pessoas lhe observa. Algumas não dizem, mas pensam: Lá vai mais um que perdeu o senso do ridículo. Aquelas roupas são para um Ken, o namorado da Barbie. Jamais para uma Moby Dick. E Herman Melville que me perdoe, pela má referência.

Esta pessoa, citada acima, era eu.

Eu!

E eu andava com as bochechas enrubescidas. Procurava um lugar para esconder a cabeça, como fazem as avestruzes. Mas não encontrava o dito lugar.

O que me aconteceu?

As roupas encolheram. Elas secaram por tempo demais. E eu, no afã de cumprir a tabela de exercícios físicos, não me importei com o ridículo.

A meta é emagrecer a todo custo.

Não me dei por vencido.

Levantei a cabeça e segui até a praça, onde havia uma pista de corrida.

A seguir, usei a parede de um quiosque como ponto de apoio. Me inclinei para alongar a perna, como fazem os praticantes de ioga.

Nesse instante, um motociclista parou abruptamente seu veículo. Desapeou. E veio correndo ao meu encontro.

— Está passando mal? — perguntou o homem, esbaforido. — Precisa de ajuda?

— Só estou me alongando — expliquei, com cara de sonso.

— Ah! — suspirou o motociclista, visivelmente aliviado.

Disse comigo: Essa foi a gota d’água! Hoje não é meu dia de correr. É melhor pegar as chuteiras e sair de campo.

Que grande jogador de futebol! Na escola, jamais consegui cobrar um pênalti e fazer um gol! E o que dizer de me aprontar para os exercícios físicos?

Enfim, para ficarmos quites, eu e a Natureza sarcástica dos acontecimentos imprevisíveis. Ao sair da praça, choveu.

Era uma chuva serena.

As gotas d’água molhava meu corpo em vez das roupas, que se perdiam por entre minhas banhas.

Leia esta e outras crônicas no meu blog.




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