Dia da Mulher: orientações da SBIm para a saúde feminina

 

 

Elas conquistam vagas no mercado de trabalho a taxas que vêm superando a média masculina; disputam cargos de liderança nas empresas e governam países, por exemplo. Ao lado de conquistas tão relevantes está o crescimento das situações que podem impactar negativamente a boa saúde. Maior nível de estresse e mais oportunidades de exposição a agentes infecciosos estão entre as principais.

 

A partir dessa avaliação, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lança um alerta sobre a importância do Calendário de Vacinação da Mulher. O chamado vale tanto para elas como para médicos, em geral e, em especial, para ginecologistas e obstetras. “A mulher já realizou grandes conquistas, mas continua sendo o principal ‘esteio’ da família. É ela quem gera bebês e passa a maior parte do tempo com eles; cuida da rotina familiar e, via de regra, é quem cuida dos pais na velhice”, analisa Renato Kfouri, presidente da SBIm.

 

Isabella Ballalai, diretora da SBIm, acrescenta que a mulher é maioria em postos de trabalho como as instituições de educação infantil, onde lida cotidianamente com crianças, um dos principais agentes de transmissão de doenças infecciosas e parte da população que mais sofre com elas. “Portanto, quem tem sua vacinação em dia, além de proteger sua saúde, aumenta a proteção daqueles de quem cuida ao deixar de ser agente de transmissão de vírus e bactérias”, completa.

SBIm e entidades de ginecologia e obstetrícia

se unem para orientar médicos e pacientes

 

Presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro (Sgorj), a médica Vera Fonseca acrescenta que o estresse excessivo, contínuo, altera as defesas imunológicas e deixa o organismo mais vulnerável. “Pensando nessas e outras condições por que passa a mulher, como a gestação, por exemplo, lançamos, em conjunto com a SBIm e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o Consenso de Vacinação da Mulher”, informa Fonseca. A publicação está sendo distribuída a 12 mil ginecologistas e obstetras de todo o país.

 

O objetivo do Consenso é orientar os especialistas sobre as vacinas que devem ser aplicadas a partir da análise criteriosa da condição clínica, riscos e situações a que a paciente esteja sujeita. “Mulheres jovens que vão iniciar a atividade sexual não podem abrir mão da proteção contra o HPV e a hepatite B, por exemplo. Ambas são sexualmente transmissíveis”, orienta a presidente da Sgorj.

 

Coordenadora do Consenso e presidente da SBIm-RJ, Isabella Ballalai faz coro e destaca: “Toda mulher que pensa em engravidar tem a obrigação de estar com a vacinação em dia, já que o descuido pode colocar sua vida e a de seu bebê em risco”.

 

Segundo Ballalai, doenças como a rubéola e a hepatite B podem comprometer gravemente a saúde. A primeira pode levar à rubéola congênita, capaz de provocar aborto ou sequelas no feto, como perda de visão ou da audição. Já o bebê infectado por hepatite B durante o nascimento tem 90% de chance de desenvolver a forma crônica da doença.

 

Varicela (catapora), tétano e influenza também estão entre as infecções que não raramente levam a desfechos indesejáveis. A vacinação é o procedimento que possibilita maior impacto na redução de doenças e óbitos, por isso é tão importante.

 

As médicas Fonseca e Ballalai, que conhecem bem a rotina de quem trabalha fora de casa e ainda cuida da família, acrescentam que o ginecologista e o obstetra são os especialistas que mais têm contato com a mulher durante as várias fazes da vida. “Por isso ele deve estar apto a avaliar o estado vacinal de suas pacientes e a orientar sobre necessidades específicas”, afirmam.

 

No Consenso de Vacinação da Mulher estão todas as vacinas indicadas pela SBIm, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), além da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, do Centre for Disease Control and Prevention (CDC) e da Organização Mundial de Saúde (OMS). A publicação, destinada apenas a médicos, contempla, ainda, os comentários que fundamentam cada indicação e o período ideal para aplicação das doses.

 

“O Consenso é um marco, já que ginecologistas não possuíam uma orientação institucionalizada. A partir de esforços conjuntos como esse, esperamos conseguir mais avanços na prevenção das doenças infectocontagiosas imunopreveníveis”, afirma Renato Kfouri.

 

Mulheres interessadas em saber mais sobre as vacinas indicadas em cada fase da vida podem acessar o calendário de vacinação no site da Sociedade Brasileira de Imunizações (www.sbim.org.br – escolher a opção “Calendários de vacinação”).




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