Diário de uma obsidiada

Era final de ano letivo, estava eu com 22 anos de idade, e terminava o 2° ano da faculdade de educação artística, começou em 1.996, os problemas com a mediunidade.

Um pouco antes de terminar o ano letivo, eu começava a ter dificuldades de me concentrar nos trabalhos da faculdade. Um simples trabalho que exigia poucas folhas de papel sulfite para serem datilografados transformou num pesadelo, pois eu errava demasiadamente me custando um bloco inteiro de papel sulfite para finalmente concluir o trabalho, e isto nunca havia me acontecido antes.  O que estava acontecendo comigo?

No última dia de prova da faculdade acordei bem, mas com o passar do dia uma angústia sem explicação foi tomando conta de mim, foi aumentando de tal forma que meu peito pesava de tanta angústia uma dor que não tinha causa definida, eu não tinha motivos para ficar daquele jeito, em casa todos nos dávamos muito bem e na faculdade nunca tive problemas com as pessoas, nem os colegas e nem os professores, eu era do tipo de pessoa tímida e muito reservada, mas não tinha divergências com ninguém. Neste dia precisei pedir para minha mãe me levar até a faculdade para eu fazer a última prova, no caminho quando estávamos já no carro indo em direção a faculdade eu disse à minha mãe “o meu problema é espiritual, tenho certeza” eu dissera aquilo sem ter informação nenhuma do que era um problema de ordem espiritual, mas tinha absoluta certeza de que o que eu sentia não vinha de dentro de mim e sim de uma outra fonte, que se manifestava em mim. Chegando na faculdade comecei a chorar sem razão diante dos meus colegas e não consegui ficar, pedi que minha mãe me levasse de volta para casa, então com muito pesar senti que deveria trancar a matrícula na faculdade, pois da forma como eu estava sem condições de estudar e começando a sentir as coisas que sentia, seria impossível continuar meus estudos.

Meus familiares conheciam muitas histórias de parentes com mediunidade, portanto eu não era a única com problemas espirituais.

As pessoas que eu conhecia me falavam que quem tinha mediunidade deveria se desenvolver através de muita oração e pedir para que os antepassados  enviassem um guia espiritual bom para dar orientação.

Foi o que eu fiz por longos 14 anos, todos os dias eu orava diante de um pequeno altar que tinha na cozinha de casa, acreditando que um dia os meus guias viriam e se manifestariam em mim, minha religião tinha raízes no xintoísmo.

Eu me sentia como se já não mais pertencesse ao grupo de pessoas normais, dentro de casa somente eu era a “diferente”, apesar disso meus pais me tratavam normalmente,  as perturbações que tinha foram o começo de um pesadelo e o fim dos meus sonhos, sonhos de quem aspirava independência financeira entre outras coisas. Antes eu sempre dormia com a luz do quarto apagada, mas de repente não mais suportava a idéia de dormir no escuro, em muitas noites sentia pânico ao ficar sozinha em meu quarto, nestas noites ou eu dormia com meus pais ou dormia com meus irmãos.

No começo não tinha paz, as perturbações eram quase frequentes, além do medo que sentia durante as noites, ás vezes tinha tonturas, calafrios pelo corpo, não podia ler porque não conseguia fixar meu olhar nas palavras, não podia nem usar roupas de cor preta que me sentia mal. Houve momentos em que fui tomada por entidades que não podia ver e que se utlizavam do meu corpo para se comunicarem, eu sabia tudo o que estava acontecendo, mas nestes momentos não tinha controle das palavras que saíam da minha boca, no início achei que fossem meus guias espirituais, mas logo percebi que eram espíritos falsos, mentirosos e zombeteiros.

Meus pais preocupados comigo me levaram a muitos lugares: em benzedeiras, candomblé, umbanda e centros espíritas, mas nada resolvia o meu problema. Cheguei a tomar antidepressivo, porque uma benzedeira dissera a minha mãe que meu problema era psicológico e foi através da indicação dela que eu fora a um psicólogo que me receitara remédio para depressão. Depois de quase um mês parei de tomar os antidepressivos e voltei a trabalhar com meu pai que tinha uma micro empresa e ele trabalhava com massa de pastel. Passado alguns meses eu fiquei melhor, o pavor de dormir sozinha havia passado, as encorporações espirituais aconteciam raramente, eu também tive ajuda da minha tia que tinha mediunidade, ás vezes meus pais iam buscá-la na casa dela e a traziam para casa para que eu pudesse tomar passes, o que aliviava as perturbações.

Foram 14 anos sem poder ter uma vida totalmente normal, não tinha como eu arranjar um emprego, porque periódicamente as perturbações vinham através de tonturas, enjôos seguidos de vômitos, visão atrapalhada sem poder enxergar corretamente, choros que eu não tinha controle e sabia que não vinham de mim, o corpo pesava como estivesse carregando chumbo,  essas perturbações vinham e depois de alguns dias ou horas, passavam. Graças a minha mãe, tive o amparo dela que me dava ânimo para continuar a trabalhar e a continuar com os afazeres do dia-a-dia.

Após alguns anos depois do surgimento dos problemas de mediunidade que me apareceram, frequentei uma associação da comunidade, fiz amizades, mas nunca contei aos amigos os problemas que eu tinha porque o assunto sobre mediunidade nunca fora abordado por ninguém.

Após um período de “quase” tranquilidade sem maiores problemas, conheci o meu futuro marido pela internet em 2.002, numa sala de bate-papo. Depois de 4 anos de namoro nos casamos e logo tivemos uma filha, foi uma bênçao de Deus em nossas vidas. Mesmo  com os problemas de mediunidade que eu tinha, desde o começo de nosso namoro, meu marido que não entendia sobre as coisas que aconteciam comigo não se incomodava, isto é, os meus problemas não foram empecilho para a nossa união, as perturbações vezes ou outra continuaram. Nós viemos a trabalhar na empresa que antes era do meu pai, e posteriormente meu pai passara para o meu irmão, trabalhamos por alguns anos lá.

Em janeiro de 2.011 eu estava com muita dificuldade de dormir á noite, a sensação de medo voltara a me perturbar, enquanto meu marido dormia eu tinha que deixar a luz do quarto acesa e depois de ler algum livro é que eu conseguia dormir. A falta de repouso físico  e ainda com outras perturbações que ficaram mais frequentes, como pensamentos obsessivos, que eram fixação por qualquer divergência que ocorria com alguém que frequentemente ficava martelando em meus pensamentos constantemente e me deixava com o humor alterado , me levaram a procurar alternativas. Pesquisando pela internet, achei um pisicoterapeuta que através da hipnose encontrava a causa do problema e dava o diagnóstico, o tratamento era caro mas resolvi tentar. Eram três secões com horário marcado de mais ou menos uma hora cada seção.  O psicoterapeuta me dissera que me induziria a uma hipnose leve, durante a seção eu deveria  falar a ele sobre minhas visões e ele daria o diagnóstico,  para todos seus pacientes ele dava uma oração que deveria ser feito por sete dias, não tive resultados satisfatórios, fiquei decepcionada.

Certo dia no trabalho, uma colega me falara sobre o Centro Espírita Perseverança, ela não frequentava mas a amiga dela sim, ela me sugeriu que eu tentasse ir àquele lugar para ver se de repente eu resolvesse o meu problema.

Desde esse dia, fiquei com o pensamento voltado para esse Centro Espírita, não conseguia tirá-lo da cabeça, quando foi em fevereiro peguei minha filha de 4 anos de idade e fui no Perseverança para ter informações sobre o lugar. Chegando lá me indicaram uma sala onde havia mais pessoas, era onde explicavam como o Centro funcionava, a importância da higienização no lar, os tratamentos, etc. Quando todos saíram eu não conseguia falar, fui tomada por uma entidade estava a balbuciar e a chorar, um dos trabalhadores do Centro me levou para uma sala, havia lá algumas pessoas vestidas de branco, me mandaram sentar numa cadeira e me deram um passe, ou seja, eles fizeram uma oração, levantaram os braços em minha direção e com aos mãos abertas se concentraram e me disseram que eu deveria pensar em Jesus, no final me pediram para repetir esta frase : “Deus me aceita como sou, mas me pede renovação, quero e posso me renovar agora, o poder de Deus está em mim, Deus é o meu libertador”, depois disso abriram a porta, saí da sala e já estava me sentindo muito bem eu voltara ao normal, peguei minha filha e voltei para casa. Naquela noite foi a primeira vez do ano, depois de muitas noites mal dormidas que tive um sono tranquilo, no dia seguinte acordei feliz e bem disposta, foi a partir de então que tive quase certeza que deveria frenquentar aquele Centro.

Os trabalhadores do Centro Espírita Perseverança recomendavam a frequencia de uma vez por semana, mas para quem era novo deveria fazer a higienização do lar e fazer uma vez por semana o evangelho no lar, que nada mais é a leitura de algum livro com ensinamentos de Jesus Cristo. Fiz tudo o que era necessário para continuar frequentando e recebendo os passes que me faziam um bem enorme, nenhum outro lugar havia tido resultados tão positivos como no Centro Espírita Perseverança.

Não sabia nada da doutrina dos espíritos e como eu já estava algumas semanas frequentando o Perseverança, achei necessário me informar sobre o que era o espiritismo, comprei os principais livros de Allan Kardec, eu literalmente devora os livros, tinha sede de conhecimento, e as informações que vim a adquirir renovaram o meu jeito de ser e de pensar. Eu estava aprendendo a refletir mais sobre as minhas atitudes e a me conhecer melhor através dos livros e das palestras.

Inicialmente, a cada vez que eu ia ao Perseverança os espíritos que a muito tempo me acompanhavam me faziam contorcer, chorar, eles se incorporavam em mim e diziam que EU não queria estar lá, como os trabalhadores entendiam do assunto com toda a calma me conduziam à sala de passes e então eu ficava bem, foram três meses de constrangimento, porque no Centro Espírita Perseverança são atendidas milhares de pessoas e eu na frente das pessoas chorando alto sem conseguir me controlar, não por vontade própria mas como se alguém usasse meu corpo para se manifestar. Depois de alguns meses eu já podia chegar ao Perseverança e ficar normal sem os ataques de choro, somente na triagem quando eu ia fazer consultas para novos tratamentos espirituais é que ainda chorava e falava com muita dificuldade, como se tivesse alguém me impedindo de falar.

Em novembro com data marcada para falar com a presidente do Perseverança fui com meu marido, numa salinha simples, sentada numa poltrona com as pernas em repouso numa banqueta a dona Guiomar nos atendeu, ela me fez perguntas, mas como eu não conseguia falar, meu marido falou sobre meu caso a ela, ela deu os tratamentos espirituais e pediu ao meu marido que viesse a frequentar o Perseverança e a fazer os tratamentos comigo se quisesse realmente me ajudar. A partir de então íamos juntos ao Perseverança uma vez por semana, fizemos os tratamentos espirituais e assistímos as palestras.

Antes das palestras há o grupo de músicos voluntários que cantam e os frequentadores acompanham, este é o momento é que eu amo, porque cantar é uma ótima terapia e é muito melhor quando estamos cantando com várias pessoas ao redor, a sensação é de uma alegria muito grande, e é um dos motivos a mais que me faziam ter vontade de continuar a frequentar o abençoado lugar.

Desde que eu começara a frequentar o Perseverança as perturbações espirituais haviam reduzido quase que por completo, pude voltar a sonhar com novos projetos de vida. Realizei alguns e agora estou bem melhor, amo a vida e sou grata a Deus por tudo, hoje posso dizer que sou mais feliz e a vida tem sentido para mim.

Estamos em 2.014, fazem três anos que eu frequento o Centro Espírita Perseverança, atualmente eu levo além da minha filha que frequenta a Moral Cristã, também levo meu filho de dois anos de idade, quero que eles aprendam sobre a doutrina dos espíritos porque fez muita diferença em minha vida. Alguns dos problemas, das perturbações que tinha em 1.996 não tenho mais, mas ainda continuo com os tratamentos, perturbações ainda tenho mas como dizem os trabalhadores do Perseverança é preciso perseverar, orar e renovar as atitudes, e é o que eu estou fazendo. Houve em mim uma transformação para melhor, seja em atitudes e pensamentos e foram graças aos livros que li e minha frequência ao Perseverança.

Aqui estão alguns dos livros que mudaram minha forma de pensar e ainda me curaram da ansiedade que eu tinha e preencheram o vazio que ás vezes eu sentia dentro de mim. Agora compreendo os problemas que tive e quero continuar a perseverar no caminho do bem e do amor, porque só assim eu sei que vou aliviar os meus problemas e espero me libertar deles.

Pinga Fogo – com Chico Xavier

Livro dos Espíritos – Allan Kardec

Livro dos Médiuns – Allan Kardec

Evangelho 2° o Espiritismo – Allan Kardec

Gêneses – Allan Kardec

Cotidiano Reflexões – Guiomar de Oliveira Albanesi

Nos Caminhos da Vida – Guiomar de Oliveira Albanesi

Tormentos da Obsessão – Divaldo Franco

Recomendo todos os livros de Chico Xavier, gosto muito dos livros psicografados de Emmanuel e alguns do André Luis.

Atualmente estou lendo os livros psicografados de Manoel Philomeno de Miranda, que estudou após a vida os problemas da obsessão.

 

Agradeço a Deus, a Jesus, ao doutor Bezerra de Menezes, a dona Guiomar, a Maria Santíssima e as legionárias de Maria, a João da Mata, aos pretos velhos, a vovó Madalena, a cacique Pena Roxa e os índios, a Maria baiana e o povo da Bahia, e a todos os trabalhadores e benfeitores espirituais do Centro Espírita Perseverança. Muito obrigada.

 

 




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