E então… Novembro 2013

Crônica publicada na edição de novembro 2013 da Ideias em Gestão – Revista da Faculdade AIEC. (www.aiec.br/revista)

Vi no noticiário da tv um pernambucano que havia viajado quatro dias de ônibus para ver a neve em São Joaquim, SC. E ele contou essa façanha à repórter com um sorriso caloroso, apesar dos flocos de neve que deslizavam sobre ambos, na rua, onde acontecia a entrevista.

Além da diversidade cultural, a pluralidade climática também caracteriza nosso país e permite que, no mesmo mês de julho, nordestinos curtam dias brancos e gelados no Sul, enquanto sulistas se maravilham com as águas quentes do colorido litoral nordestino!

Apesar dessa cultura caleidoscópica, o Brasil desenvolveu, em seu processo de formação histórica, uma unicidade magnífica que lhe dá uma identidade admirada em todo o mundo.  Já há algum tempo, passamos a ser valorizados  não apenas por nossa música ou por nossos jogadores de futebol. O Brasil se posiciona como uma nação economicamente importante no cenário mundial. E o brasileiro  dá mostras contundentes de que, além desses méritos de nossa nacionalidade, é hora de se resolverem alguns flagelos históricos, especialmente com relação à gestão da coisa pública.

Tivemos este ano, além da neve no Sul, um aquecimento das tensões sociais nas ruas das grandes cidades brasileiras. Grande desafio para os analistas dos fenômenos sociais e maior ainda para governos e políticos, principal tema das indignações.

As insatisfações ganham impulso nestes tempos em que, parece, o ser humano revela uma certa angústia existencial. Esta porém não é exclusiva dos brasileiros. É um fenômeno civilizacional que nos leva, nem sabemos exatamente em busca do quê, às estradas, aos bares, aos aeroportos, aos shoppings, aos bailes, às drogas, às raves, aos templos neopentecostais, enfim, às ruas.

Bem administradas, essas manifestações, que acontecem não apenas no Brasil, cumprem uma função catártica importante para o equilíbrio dinâmico das relações sociais. O maravilhoso espetáculo de mais de três milhões de pessoas em Copacabana, rezando com o Papa, em paz, é um belo exemplo disso.

Bom final de ano e até março

Artur Roman

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