Medo de Barata

Dona Clara detestava insetos. O fato de mencioná-los, a seu ver, era como soltar um impropério. Ela arrepiava os cabelos, bastava pensar naqueles animais asquerosos. Por exemplo, um inseto que ela sentia nojo. Asco. Náusea. Era a barata. Se ela desse de cara com uma barata, era um deus nos acuda. Gritava por Vicente:

Venha logo! Não está vendo a minha inimiga mortal?

Vicente, que parecia uma lesma de paciência, dizia:

Não. Onde está a barata?

A esposa repugnava-se.

Quantas vezes eu já disse para não chamar esse nome. Esse nome feio não é para andar na boca de ninguém.

O coitado do Vicente passava o dia no encalço do famigerado inseto. A barata é esperta. É bicho matreiro. Desses que se você der a mão, ela quer o pé. Jamais hesite, quando estiver de frente a uma barata. Se titubear, ela passa a perna em você. É assim. Vicente, às vezes, topa com uma, na boca do ralo do banheiro. Lança mão do veneno. Raider ou Baigon. Aperta uma ou duas vezes o pulverizador. O ar impregna-se com aquele cheiro característico do aerossol. Vicente fica ao longe. Observa. A fumaça esvai-se. Às carreiras, o animal sai da boca do ralo. Parece até um burro desembestado. É claro. Se brincar, a barata usa suas asas longas. Voa, sem mais, nem menos. Daí, Vicente começa uma nova fase da caçada à barata imorredoura. Procura debaixo da cama. Não vê o inseto, que ri da cara de Vicente. Ela pensa: Ele é pior que o palerma do Sancho Pança ou o doido e fidalgo Dom Quixote de la Mancha! A barata solta as gargalhadas, abafadas por suas patas esqueléticas. O bicho esgueira-se pelos cantos da parede. Sai do quarto. Por pouco se afoga no ralo da cozinha. Vicente permanece no encalço do inseto, com chinela em punho. Ele brandiu a arma fatal. Cavaleiro medieval sem cavalo, nem lança. A espada na mão é uma chinela das Havaianas, que fica frouxa em seus pés.

Quem há de ver a barata treteira? Dona Clara. Ela viu e soltou outro grito de perigo.

Vicente, a lambisgoia quase esmaga a unha do meu pé!

Ora, sejamos francos, quem viu uma barata esmagar a unha do pé? Dona Clara era exagerada, quando se tratava de baratas. Embora eu creia que não se tratava somente de baratas. Este comportamento tinha uma causa profunda. Era a famosa ansiedade. De fato, Dona Clara era muito ansiosa. Ela queria o controle sobre tudo e todos. Dessa maneira, sua vida seria monótona. Sem surpresas. Nem sofreria com a sensação peculiar de não saber como agir em frente ao inesperado. Isso aumenta a ansiedade de Dona Clara. Ela não tem poderes de super-heroína para prever o futuro.

Aliás, Dona Clara finge muito bem. Às vezes, diz consigo: Está tudo bem. Repete esta frase como se fosse um mantra. Está tudo bem, persegue-a durante todo o dia. Onde a gente a vê, encontra-a repetindo, absorta: “Está tudo bem”. É uma tentativa inútil, de esconder-se dos problemas que lhe cerca. Quais são os problemas, que tanto machucam a consciência de Dona Clara? Todos eles se resumem a um: Vicente! Ele detém a liderança das preocupações da sua senhora.

Vicente deixa o tampo do sanitário aberto, o gel dental com a tampa escancarada, a toalha ensopada em cima da cama. Se formos enumerar os erros de Vicente, perderíamos um dia todo. Ainda assim, não terminaríamos este árduo trabalho.

Aliás, ninguém diga que Dona Clara tem defeitos. Ela já declarou uma vez a Vicente, quando o coitado tentou se desculpar. “Todos temos defeitos.” “Todos, não! Sou uma exceção.” Dona Clara: a exceção à regra. Quem diria?

Não contem a ninguém. Caso caiam em tentação; jamais confessarei, a quem quer que seja, de onde proveio esse assunto particular. Bem, no rótulo do sabonete íntimo há uma silhueta de mulher nua, com a mão direita cobrindo os seios e a outra, as virilhas. Dona Clara sempre esconde este desenho. Deixa o desenho do rótulo com o focinho virado para a parede. No outro lado do frasco de sabonete íntimo está as instruções tradicionais, tais como, composição, precauções, etc. Talvez ela tivesse medo da silhueta feminina. Quem sabe se tão infame desenho não induzisse Vicente ao adultério? Era melhor não arriscar. Diziam os meus avós: seguro morreu de velho, desconfiado ainda vive. Dona Clara era fã incondicional deste ditado popular. Aplicava-o costumeiramente no seu dia a dia.

Enfim, qual era a estratégia de Dona Clara para superar os erros de seu cônjuge?

Logo que Vicente virava as costas, ela desfazia o malfeito. Largava a mão na tampa do sanitário. Fechava-o. Trancava a tampa do gel dental. Fazia a tampa descer, com o dedo polegar, os demais se ocupavam em apertar o dentifrício. A toalha ensopada, deitada na cama, dava-lhe uns piparotes.

Levanta, sua mal-agradecida! dizia com seus anéis. Vá pescar um Sol quente lá fora! Quarenta e quatro graus Celsius.

Além disso, era mulher exigente. Queria segurança a qualquer custo. Não se importava com o preço. Alto ou baixo, tanto faz. Muitas vezes, eu presumi que um bom emprego para Dona Clara seria de corretora da Bolsa de Valores. De tal forma que seu coração rapidamente explodiria. Risos. Ela jamais encontraria segurança naquele ambiente caótico. As ações subiriam (ou desceriam) conforme o efeito de manada do mercado de valores. Algumas de sua carteira estaria em baixa. Despencariam. Queda livre. Enfim, num mercado de emoções espera-se de tudo. Os corretores convivem com seus piores temores à flor da pele. Não tem colher de chá. Dona Clara perderia os cabelos grisalhos da sua cabeça.

Na verdade, o medo cabeludo da mulher é perder Vicente. De instante em instante, ela procura o marido, onde quer que ele esteja. Pode estar no boteco da esquina, tomando cachaça com os amigos. Depois de dois minutos, lá está Dona Clara, ao pé do esposo. Se for ao jogo de futebol. Assim que ele sai de casa, para curtir uma pelada, lá vem Dona Clara! Pendura-se na arquibancada. Só arreda o pé, com Vicente a tiracolo. Ela não avalia seus sentimentos. A ameaça de perder o marido é real ou não? É óbvio que não. Supõe que é melhor ter um olho vidrado nos passos do Vicente. Antes isto do que ter os dois olhos a ver navios, que navegam em nuvens esparsas. Se eu a aconselhasse, diria:

Não tema, ilustre dama! Vicente é bonachão. Nunca sonhou em trair a senhora. Quanto ao receio de perdê-lo para uma lambisgoia, fique fria. Isto nem sequer passou em seus pensamentos. Enfrente o medo que você sente, mulher. Desta maneira, o cérebro registra que nada de mau está acontecendo; daí, ele conclui que pode deixar Vicente às rédeas soltas.

Isto, se eu tivesse um pingo de coragem, para lhe comunicar estas palavras. Aliás, Dona Clara me ouviria? Olhe o dedo a balançar de um lado ao outro. Caso fizesse o que penso, eu seria um homem morto. Caixão e vela preta. Paletó de madeira. Choradeira.

Além disso, ela analisa tudo que lhe diz ou o que lhe acontece muito a fundo. É uma mergulhadora de águas profundas dos seus pensamentos e dos vizinhos. Inclusive, é analista do próprio Vicente. O coitado sofre mais do que sovaco de aleijado, com esse costume sórdido de sua consorte. Como eu não tenho boca de siri, vou contar o que rotineiramente acontece com Vicente. Desta forma, o leitor me entenderá melhor.

Vamos supor que Vicente chegou cansado do futebol com os amigos, no final de semana. Diz:

Clara, onde está a sopa? Quero manter a forma de bujão de gás.

Basta isto. Duas frases. É o suficiente para roubar o sossego da mulher. Se ele queria uma sopa porque não me avisou antes. Será que fiz uma sopa? Por que eu não me avisei que fiz uma sopa? Será que estou esclerosada? Caso contrário, quem pode estar esclerosado é ele. Vicente é tão novo para esquecer das coisas. Sim. Talvez seja eu. O que dizer do bujão de gás? Eu sempre fecho a válvula depois de cozinhar. A válvula está fechada. Senão eu sentiria o cheiro de gás de cozinha. Ele zoa comigo. Gosta disso, desde que nós nos conhecemos. Como foi o nosso primeiro encontro? Não me lembro. Ah! Foi numa lanchonete, perto da faculdade. Eu era jovem. Estava no meio do curso de Medicina. Vicente estudava Direito. Que pena! Nenhum de terminamos os estudos. Nasceu a Clara. Vicente teve que trabalhar. Sofri com o parto. Quase que perco a menina. Mudamos nossas vidas. Viemos para perto de mamãe. A velha acolheu-nos com um sorriso no rosto e um cabo de vassoura na mão. Dei duro. Depois, mamãe morreu. Chorei muito. Até hoje eu não entendo: “onde está a sopa?” O que isto quer dizer. Ele sabe que nunca faço sopa aos sábados e domingos. Preciso descansar a beleza. Durante a semana, tenho que batalhar. Trabalho como cabeleireira. O salão aguarda-me. Não posso falhar com as minhas clientes. Será que Vicente está realmente gordo? Suponho que tudo isso seja brincadeira de Vicente. Ele é muito gaiato. Se não for? Talvez as suas artérias e veias entupam-se de colesterol. Se for verdade, então Vicente está no fim. Não dou até o próximo final de semana, para que ele morra. Se ele falecer, o que será de mim? O que será da minha filha? Sem Vicente, quem vai de instante em instante na bodega da esquina, comprar um litro de leite ou saco de pão francês? Não. Vicente não pode morrer. Antes eu. Que eu morra, que Vicente viva. Além do mais, não sei cuidar de Laurinha como ele. Vicente sabe aferir a pressão, a temperatura, tudo. Eu, embora fizesse o curso de Medicina, não aguentava ver sangue. Quer seja o meu, quer seja o de outrem. Vou fitá-lo longamente. Usarei de muito carinho, enquanto procuro evidências de que Vicente está à beira da morte. Ela espia Vicente de cabo a rabo. Procura o quê? Quais vestígios quer achar? Ninguém sabe. Nem a própria Dona Clara sabe quais vestígios de morte futura deve atentar. Daí, não toma nenhuma atitude, nem sequer responde a pergunta de Vicente. Inerte. Cara de palerma. Quando reage, é para suspirar. Que suspiros longos! Que desencantamento! O marido faz ouvidos de mercador. Vê que a esposa está com crise de ansiedade. Liga para um restaurante perto de casa. Solicita uma sopa quente. Daqui a pouco, a sopa chega. Viajou de moto. Vicente paga a corrida e a sopa ao motociclista. Cavalheiro. Arruma a mesa. Chama a esposa para se deleitar com a comida saudável. Até este momento, Dona Clara não sabe se a sopa foi ela quem preparou ou não. Perdeu-se na floresta negra dos pensamentos negativos.

Outro indício que a mulher sofria de ansiedade louca. Ela come uma barra de chocolate atrás da outra. No fim do dia, trinta barras de chocolates ou mais visitaram a privada. Como se dá esta aventura no Reino dos Chocolates? A madame vai à despensa, de onde volta com uma cesta cheia dessas guloseimas. Posta-se de frente ao televisor de 44 polegadas, com tela plana. Escolhe seu programa predileto. Pode ser de culinária ou de decoração, ou compra de casa própria no exterior. Daí, segue-se uma avalanche de mordidas nos chocolates deliciosos. Sonho de Valsa, Prestígio, Batom Garoto, etc. Cada qual é acompanhado por uma mordida clássica. O que é uma mordida clássica? Sabe como é… alguém passa alguns minutos paquerando o chocolate. Cogita: Ah! Sinto na boca o sabor maravilhoso dessa guloseima. A saliva inunda a boca. Escorre pelos cantos dos lábios afora. (A imagem fiel do cão com hidrofobia.) Eu não vou resistir! Como posso resistir a esta tentação? O estômago está vazio. (Isto é uma mentira deslavada. O seu estômago está cheio. Há pouco, Dona Clara comeu uma lauta refeição.) Sinto as lombrigas a brigar uma com a outra. As tripas, também, não ficam atrás. A guerra consumou-se em mim. Cederei ao meu desejo. Ufa! (Passa a mão na testa. Para limpar a consciência.) Então, esbalda-se no chocolate. Ela come tanto, que se lambuza. Uma viscosidade preta impregna a sua pele. Dona Clara passa a língua sutilmente sobre ela. Arrasta-a com classe. Na maioria das vezes, Vicente nem percebe este ato de sua esposa. Sabe que um minuto atrás havia uma viscosidade na lateral direita do rosto da consorte. Agora, para onde foi? Sumiu.

Deixemos este detalhe de lado. Voltemos ao assunto da barata fugidia.

Dona Clara foi quem viu a barata sonsa tripudiando de todos na boca do ralo da pia. Na cozinha, ela deu um grito para o marido. Um lerdo! Que patinou pela sala de estar! Encontrou a esposa exageradamente armada. Empunhava uma faca de cozinha. Dessas que se usam para cortar o pão. Era uma faca de serra com dentes frágeis. Se qualquer um colocar força para apertar um parafuso, a faca quebra-se em duas. Primeiro, nota-se que Dona Clara conhecia a fundo a arte da cutelaria. Segundo, a mulher era pau-para-toda-obra. Capaz de matar uma barata apenas com o susto da faca de cortar pão. Que mulher sagaz!

Quer sim, quer não, isto surtiu efeito. A ameaça iminente de morte por faca amedrontou a barata. Embora eu presume que a barata não tivesse medo da faca. Na verdade, a barata pelava-se de medo daquele corpanzil. Aos olhos do famigerado inseto, ela era um gigante. Com andar desengonçado, pela estatura e porte. Que não gozava da presteza das pernas e braços! Se ela fosse tão ágil quanto a barata, o inseto estaria morto.

Faltava pouco para Dona Clara entoar uma oração em sufrágio do inseto. Enquanto isso, Vicente dá voltas em torno da pia. Destampa uma caçarola. Assusta-se. É uma barata? Quem me dera que fosse uma! É um reles coleóptero que abre suas asas toscas e voa. Sei. Doravante o leitor pensará que isso não é uma casa de gente civilizada. Uma casa com baratas e coleópteros parece um jardim zoológico. Desses que visitamos no final de semana. Pai, mãe e os filhos de bigu. A família reunida para ver os bichos nacionais e estrangeiros. É óbvio que os bichos estrangeiros são exóticos. Atraem mais a atenção. Enquanto os nacionais são simplórios. As crianças preferem os bichos estrangeiros aos nacionais. Quem não gosta de leão, elefante, girafa, crocodilo e hipopótamo? Os nacionais são umas graças, que não metem medo nem sequer no Tio Patinhas. Tamanduá-bandeira, arara-azul, papagaio, ariranha e jabuti.

Depois que Vicente levou um susto do coleóptero. Ele continuou a caçada à barata treteira. Espiou debaixo do pano de prato. Nada. Nem sinal do ser vivo. Bisbilhotou as panelas, penduradas no lava-louça. De novo, nem sequer o movimento frenético das pernas, digo, das patas.

Onde estava o inseto?

Aventurou-se, então, por dentro do forno do fogão. Vasculhou cada vão, cada brecha. À cata do animal daninho, estava disposto a subir o monte Everest. Olhe que Vicente era desprovido de resistência física. Antes de subir o pé da montanha, o coitado faleceria. Na cabeça de Vicente, porém, rolava outros pensamentos. Antes morrer na escalada do que ouvir a ladainha dessa mulher! Nesta casa, desde cedo da noite há o maior fuzuê. Ando atrás desse bicho. Ele é escorregadio à beça. Onde vou achá-lo? Só assim acabo com o meu suplício. Perdi até o jogo de futebol, por causa de uma barata. Se eu disser isto aos meus colegas de repartição, todos cairão na gargalhada. Todos me terão por tolo. Nem pensar em contar esse segredo.

Já notou: quanto mais medo você tem de um bicho, mais cedo você o vê. Com Dona Clara isto acontece de palmo em palmo. Ela enxerga barata em tudo quanto é canto da casa. Escondida, debaixo da pia. Imprensada, na bacia do sanitário. Quando voa, do quintal para a sala de estar. Se o inseto boceja, lá está Dona Clara para repreendê-lo pelo mau costume.

Isto são modos? Vá bocejar na casa de sua mãe! Quem não lhe deu educação e não lhe ensinou boas maneiras! diria.

Ela foi à geladeira. Beber água. Ao abrir a porta… Quem aguardava por Dona Clara? A barata, é óbvio. O animal estava com óculos escuros no rosto. Um guarda-sol sobre a cabeça. Sentava-se sobre uma cadeira de praia. As pernas estavam cruzadas, uma sobre a outra. Os braços serviam de apoio a cabeça, que descansava após um longo dia de trabalho. Ela segurava um jornal amassado e bebia água de coco, com as duas mãos restantes. Quando viu Dona Clara, a barata esticou a língua para fora da boca.

A mulher ficou azeda. Lançou a faca para cima do bicho. A faca voou. Passou de raspão pelo guarda-sol. O inseto não esperou por bom tempo. Correu. Dona Clara, premida pelo medo, gritou:

Vicente, acode-me! O bicho vai me pegar!

Ele sabia que a barata jamais pegaria a esposa. Com uns gritos daqueles, era mais fácil ela matar a barata. A coitada não tinha a mínima hipótese de ofender Dona Clara. Como bom marido que era, Vicente foi ao encalço do bicho. Era necessário atender às súplicas da esposa. Caso contrário, o escarcéu seria a saída. Dona Clara, além do barraco, com alaridos e tapas de plantão, falaria desse episódio por anos e anos afora. Vicente não deixaria que uma barata perturbasse a paz familiar. Ele prezava muito a paz que havia entre os dois. Não era uma barata qualquer que lhe roubaria algo assim. Suara muito para alcançar a paz. Levara muita surra da mulher. Até que, por fim, entendeu um pouco da psicologia feminina. O inseto conheceria a sanha de Vicente!

Finalmente, a barata viu-se encurralada.

Quem a encurralou?

O Vicente.

Ela estava inerte. Aos pés do sofá, era uma estátua muda. Por alguns segundos, estava sem ação. De ambos os lados havia as paredes. Defronte a si, erguia-se o colosso do Vicente. Se corresse, caía num alçapão. Os pés de Vicente esmagavam a sua cabeça. Se voasse, caía noutra armadilha. A chinela troava a cantiga de gesta dos cavaleiros medievais. Batalha. Guerra. Falecimento.

Vicente preparou-se. A chinela em riste estava apta para dar o bote. Serpente traiçoeira. Chegou a hora da decisão. Quem vencerá: Vicente ou a barata?

Toda criatura humana nasce com as respostas para suas dúvidas. O que procuramos? As perguntas. Deus? Família? Quem sou? De onde vim? Para onde irei? Existe o infinito? Se existir, como posso mensurá-lo?

Um sábio da Grécia Antiga, chamado Arquimedes, disse:

Dê-me uma alavanca, e moverei o mundo.

Discordo. Sabe quem move o mundo? Não é Arquimedes ou a sua alavanca. São as perguntas que fazemos em nosso leito, antes de dormir. As perguntas movem o mundo. Elas fazem-nos sonhar. Os sonhos inspiram-nos o amor, a amizade e o companheirismo. Estas engrenagens tênues põem a máquina do mundo para moer. Nós é que somos míopes! Não enxergamos o poder das perguntas.

Por isso, termino esta crônica com uma única pergunta:

Que fim teve a barata?

Por hoje é só. Até segunda-feira (12-03-2018), às 20 h, horário de Brasília, com mais crônicas e cônicas.

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